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Para CMs: as comunidades na Web 3.0

Para CMs: as comunidades na Web 3.0
Marcílio Augusto Lara
jan. 14 - 8 min de leitura
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A cada novo marco na evolução da história da Internet há também o marco sobre os relacionamentos digitais. A primeira era da Internet é chamada de Web 1.0, marcada  pela entrega de conteúdo online, ainda de forma estática e em sua maior parte apenas no mundo corporativo, com seu maior marco o envio de e-mail. Com um conteúdo apenas informacional, os relacionamentos neste momento são apenas de uma única onde os usuários passam a receber informação, são leitores de portais de notícia apenas. 

Um próximo passo seria sanar a necessidade de conexão entre aqueles que acessavam a Internet. Salas de bate-papo, blogs, compartilhamento de vídeos e fotos iniciam a fase de compartilhamento da informação dando início a Web 2.0. O dinamismo na troca de informação e também na produção do próprio conteúdo deu ao usuário um papel não mais de um agente passivo no consumo, agora (alguns poucos) também participa na criação e quem ajuda a ditar movimentos relacionais. 

Nos dos primeiros movimentos você tem um público consumidor e que não tem muita influência na produção de novos produtos e marcas. Embora seja possível perceber o movimento de marcas percebendo a importância do usuário na Web 2.0, temos com o Orkut e Facebook dois apontamentos. O primeiro demonstrando como a interação entre os usuários é parte fundamental para que novas marcas ganhem espaço, já no segundo o aproveitamento desse sentimento foi em facilitar e dar ferramentas para melhorar essa experiência virtual entre os usuários.

Alguns mais saudosistas do modelo de fórum dirão que a produção de conteúdo nesse formato privilegia o assunto tratado, porém com o modelo de linha do tempo (timeline/feed) nós percebemos que o importante para os usuários é a participação em tem real com aquilo que outros tem vivido. Postagens com fotos, vídeos, textos começam a ser feitos para informar e entreter a rede de conexão e quanto maior a interação, mais tempo o usuário permanece desejando produzir conteúdo naquele espaço.

As marcas começam então a olhar como produzir um espaço seguro para as pessoas trocarem experiências sobre um determinado tema é fundamental para que as pessoas se sintam realizadas e também criem o sentimento de gratidão por quem proporcional esse espaço.

As comunidades começam a ser visto como estratégia de negócio. Tomando a Big Tech Azulada, temos essa verdade percebida em alguns níveis de mudança. A sua página inicial antes mostrava “It’s Free and Always Will be”¹ (É gratuito e sempre será) e depois foi alterada para “It’s Quick and Easy” (É rápido e fácil) então chegando ao uso atual “Facebook is a social utility that connects you with the people around you” (No Facebook você pode se conectar e compartilhar o que quiser com quem é importante em sua vida)². Com uma propaganda global, que também rodou no Brasil, o tema era: existe um grupo no Facebook para você. Somos mais juntos.

Ao se tornar parte estratégica, as comunidades começam a moldar novos modelos de negócio, empresas que agora são community driven, seja por olhar seus colaboradores como uma comunidade que precisa ter seus rituais, seu senso de pertencimento e ser seguro para o crescimento ou por direcionar seus produtos para primeiro atenderem aos membros da sua comunidade ao invés de um direcionamento que foi proposto em um Business Canva.

Há diversas marcas hoje que utilizam o vocabulário de comunidade com sua audiência e de uma certa forma consegue ter esse ambiente de troca entre os pares, onde os usuários são ouvidos e são parte fundamental na construção e direcionamento de novas features para o negócio. Porém, ainda não são parte do modelo de Web 3.0. Essa nova geração acessa a internet não através de um navegador tradicional, mas sim por meio de uma carteira, como a Metamask (por exemplo).

Fonte da Imagem: Instagram Caio Vicentino, acessado em <https://www.instagram.com/p/CYTv8ynLVUN/>

As novas aplicações na Web 3.0 prezam por um ambiente descentralizado, onde os usuários são donos dos seus próprios dados. A criação de novos negócios não buscam o poder centralizado em uma cadeia de C-Levels, mas distribuída para quem acredita no projeto e contribui com o seu crescimento, seja por meio da compra do seus ativos, seja na divulgação do projeto ou na utilização desses ativos e melhoria deles.

Hoje na Web 3.0 as pessoas são pagas para jogar, são recompensadas por comprar um ativo e mantê-lo na carteira sem vender durante um período estipulado, ou seja, todo aquele que participa do movimento ganha e dessa forma faz com que o próprio movimento ganhe também. Uma prova maior disso é o quanto a Comunidade Cripto acreditou e acredita no Bitcoin como uma inovação no mundo das finanças e foi por acreditar nessa primícias que outros projetos e estruturam foram criados, para dar usabilidade, sustentabilidade, velocidade para novos protocolos que se propõe como algo importante para esse ambiente.

Uma comunidade é formada por um grupo de pessoas com interesse em comum, elas podem ser quem elas realmente são de verdade sem julgamento e prezam para que aquele ambiente também cresça, e esse pensamento é a espinha dorsal da Web 3.0, são as comunidades quem ditam as regras, são as pessoas que constroem a comunidade de um produto bom ou não. Uma criptomoeda só tem força por causa da sua comunidade, ela pode ser uma memecoin³ ou projeto real que busca desenvolver o ecossistema.

Bom, então o que um Community Manager (CM) precisa conhecer para buscar por um trabalho em comunidade na Web3? Creio que o primeiro passo seja aprender as dinâmicas sobre o que são criptomoedas, olhar alguns dos projetos em crescimento e como as comunidades apoiam esse desenvolvimento. Ainda há muito o que se falar ainda sobre esse assunto, por exemplo, blockchain é um assunto importante para quem está começando na Web3 ou sobre NFTs ou sobre as Organizações Autônomas Distribuídas (DAO) que são um dos grandes modelos de negócio que realmente valorizam e dependem das suas comunidades.

Estudar sobre como as pessoas são estimuladas a participar e incentivar um projeto vai muito além de apenas retribuir o esforço com dinheiro, neste caso com criptomoeadas, por isso se você chegou até aqui, também indico que assista ao TED de Dan Ariely em “What makes us feel good about our work?” (O que nos faz sentir bem com o nosso trabalho?) assim terá um olhar um pouco diferente sobre o papel do gestor de uma comunidade no ambiente da Web 3.0 e como ele pode ser bem-sucedido em novos projetos que exigem uma estratégia inicial.

Um site para você acessar e conhecer quais sãos as comunidades que estão a frente nesse universo de criptomoedas é o Coin Market Cap, acesse e veja quais moedas estão em destaque. Agora que este mundo foi um pouco mais aberto para você, basta tomar atitude de se jogar nele.

 


  1. Slogan/TagLine acessado em <https://logotaglines.com/facebook-logo-tagline/>, também em <https://www.businessinsider.com/facebook-changes-free-and-always-will-be-slogan-on-homepage-2019-8>
  2.  Tradução conforme acessado em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Facebook/>

  3. As memecoins usualmente nascem sem um projeto bem definido, equipe experiente, ou solução de uso, elas não têm intenção de se tornar um projeto real, com desenvolvimento ou ecossistema. Algumas memecoins conhecidas são Dogecoin (DOGE), Shiba Inu (SHIB), Dogelon mars (ELON), elas normalmente têm sua variação de mercado muito maior do que outras criptomoedas por serem mais suscetivas as notícias e não terem um projeto sério como fundamento.

 


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